
José
sempre foi um homem mulherengo. Tinha desculpas pra tudo. Se uma mulher ligasse
pra ele e Norma sua esposa estivesse ao seu lado, logo dizia que era a mulher
do patrão dando ordem. Se chegasse tarde em casa, dizia que pegou
engarrafamento.
Trabalhando mais de 15 anos como motorista particular de um advogado,
quase sempre não dormia em casa. O advogado era muito procurado e só vivia
viajando à trabalho. Norma já se acostumara com aquela rotina. Era desconfiada
porque muitas amigas sempre dizia que José tinha outra, uma amiga até já havia
visto ele com uma mulher passeando no shopping, mas Norma sempre dizia:
"No dia que eu ver esta sujeita, a cobra vai fumar..."
Outro dia, Norma achou uma carta e uma foto dentro da mala de viagem dele:
- José, quem é esta mulher, posso saber?
- Não sei, onde você encontrou isto?
- Encontrei na sua mala. Esta aqui é ela, não é?
- Ela quem, Norma? Já estou cansado deste seu ciúme besta. Quer saber você
passou do limite.
Norma guardou aquela foto e memorizou a face da sujeita. Dias passaram e José
passou uma semana sem ir em casa, foi exatamente nesta semana que Norma foi ao
supermercado fazer compras. Ao entrar no setor de frutas e legumes, Norma dá de
cara com José e a outra... Conheceu ela rapidamente. Era ela a mulher da foto.
Norma sentiu as pernas tremerem pela primeira vez, seus olhos encheram-se de
lágrimas, uma gotinha deixou banhar pela face e um sentimento de raiva tomou
conta do seu corpo.
(Continue a História)
Doeu, doeu muito mas como Norma não era de se deixar abater,
subiu no salto, empertigou-se e,segundos depois, recomposta, dirigiu- se ao “casal”.
José estupefato não sabia onde se enfiar quando a viu e a tal sujeita quase
desmaiou. Não havia como evitar o encontro pois estavam no final de um dos
corredores e não havia saída. Chegando ao casal, Norma disse:
_”Ora, que pena encontrá-los só agora. Não faz muito tempo
deixei o Ricardão na casa dele, caso contrário poderíamos fazer um lanche
juntos para nos conhecermos melhor. Bem, mas não vai faltar oportunidade já que
o Ricardão vai passar a morar comigo a partir de amanhã.” José quis argumentar
alguma coisa, gaguejou, disse que não era o que ela estava pensando e que a
sujeita era uma funcionária nova e que havia se mudado não fazia muito para a
cidade, enfim, gaguejou, gaguejou e acabou dando-se por vencido.Perguntou
quando ele e Norma poderiam conversar, ao que ela respondeu que não tinham o que
conversar e que ela só queria saber para onde mandar os seu pertences. Abatido,
José reconheceu o flagrante, disse que passaria em casa para pegar suas coisas
e dando meia volta, foi embora.
Norma respirou fundo, disfarçou a tristeza o que pode e
dirigiu-se à saída. Meio tonta e sem saber como tinha conseguido reagir daquela
maneira esbarrou em um rapaz que devido ao encontrão derrubou todas as compras
que havia feito. Norma, muito nervosa, desculpou-se, ajudou-o a recolher tudo e
perguntou-lhe para ser gentil: _Como você se chama?
Ele responde com um sorriso iluminado:_”Ricardão”